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Aeroporto para Santo Antão: Verdade ou brincadeira?

A ausência de autonomia das ilhas colocou-as numa dependência tão grande do centro que ficaram incapazes de olhar para o lado...

Carlos Araújo

De vez em quanto aparece na comunicação social a notícia da construção de um aeroporto internacional em Santo Antão. Essa notícia não me preocupa na medida em que sei que a falta de bom senso tem o seu limite, mas preocupa-me imenso o facto de ver que algumas pessoas, necessariamente inteligentes, tomam a notícia por verídica e se põem por ai fazendo juízos negativos dos nossos governantes.

E é a essas pessoas que me que dirijo nesse momento com o fim de as tranquilizar afirmando-lhes que não vai ser construído um aeroporto internacional em Santo Antão por dois motivos básicos:

Primeiro porque tratar-se-ia de um ato de gestão incorreto e ruinoso para as ilhas de Santo Antão e São Vicente e consequentemente de Cabo verde.

Segundo porque os nossos governantes também são pessoas inteligentes e com alguma consciência e integridade moral.

No entanto, a cautela leva-me ainda a colocar uma questão: porquê que essas pessoas se preocupam com a possibilidade de tomada de uma decisão tão absurda? Será que acham que possíveis promessas eleitorais podem estar na base de tamanho erro de gestão? Será que o frágil controlo que temos, enquanto cidadãos, sobre os atos dos governantes pode permitir tais desmandos?

E é francamente na tentativa de responder a essas questões que, mais uma vez, me apercebo da gravidade da incorreta centralização a que fomos submetidos. Existe, de facto, o risco de o governo central achar que pode construir um aeroporto internacional em Santo Antão, caso achar que a sua palavra, a sua promessa ou outros possíveis ganhos morais ou monetários estão acima das necessidades públicas.

A ausência de autonomia das ilhas colocou-as numa dependência tão grande do centro que ficaram incapazes de olhar para o lado e tentarem experienciar a possibilidade de outros modelos de desenvolvimento. Será que alguma vez o presidente da Camara do Porto Novo se reuniu com o da Camara de São Vicente para procurarem uma solução para algum dos problemas que afetam os seus municípios?

É essa visão centrípeta dos autarcas que os leva a ter, também eles, sonhos centralizantes. Mas os sonhos não só devem ser interpretados de forma correta como devemos saber sonhar. Por ex. Um autarca não deve sonhar com um aeroporto neste ou naquele local mas sim com os benefícios que ele quer trazer aos seus munícipes. É que, se sonhar com um aeroporto internacional pode ser um luxo megalómano, sonhar com os benefícios que esse aeroporto pode trazer aos seus munícipes já é um ato de humanismo que pode levar a decisões acertadas.

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