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Deputados preocupados com a fragilização de protecção das tartarugas

Luís Carlos Silva entende que é necessário “atacar a economia” criada em torno da caça das tartarugas e promover “uma mudança de pensamento”

A Comissão Parlamentar de Economia, Ambiente e Ordenamento do Território manifesta-se preocupada com a degradação da protecção das tartarugas, uma imagem de marca de Cabo Verde cada vez mais ameaçada.

“As tartarugas são um símbolo nacional que já foi mais protegido. Existe a percepção de que o trabalho de protecção das tartarugas está a fragilizar-se”, disse o presidente da Comissão, o deputado do Movimento para a Democracia (MpD) Luís Carlos Silva.

O deputado, que falava nesta quinta-feira, durante um pequeno-almoço com jornalistas, adiantou que a comissão tem mantido encontros com a rede de protecção das tartarugas em Cabo Verde (TAOLA), que também se mostra muito preocupada com o “sentimento de impunidade” generalizado em relação à caça de tartarugas nas praias cabo-verdianas.

“As praias são monitorizadas por voluntários que não têm condições para actuar”, disse o deputado acrescentando que a comissão está a estudar o fenómeno e que irá propor as alterações legislativas que se justificarem.

Sendo facto que Cabo Verde aprovou em 2015 legislação que criminaliza a captura, abate e comercialização de tartarugas marinhas, mas um estudo divulgado em 2016, pela Turtle Foundation e Instituto Nacional das Pescas concluiu que as medidas adoptadas são insuficientes para travar a captura e o consumo ilegal de carne e derivados de tartarugas.

No mesmo sentido, Luís Carlos Silva entende que é necessário “atacar a economia” criada em torno da caça das tartarugas e promover “uma mudança de pensamento”, sensibilizando para as vantagens económicas de preservação da espécie.

Além da caça, as tartarugas estão também ameaçadas pela destruição dos espaços de desova em muitas praias de Cabo Verde, motivada pela apanha ilegal de areia. Por isso, o vice-presidente da Comissão, o deputado do PAICV, José Maria Veiga sustentou que qualquer “estratégia de proteção das tartarugas terá que ter também em conta a dimensão da conservação das praias”

Segundo os dados mais recentes divulgados pela imprensa cabo-verdiana, em quatro meses da temporada de desova de 2016 (junho a setembro), foram mortas 200 tartarugas só na ilha do Sal. Factos que levam a comissão parlamentar a realizar em Abril um ‘workshop’ sobre planeamento e ordenamento da orla costeira que aborde estas dimensões.

O encontro serviu ainda para divulgar o plano de actividades da comissão para este ano parlamentar, centrado, entre outros assuntos  como assentamentos informais nas ilhas de Santiago, Boavista e Sal e na recente actividade sísmica na ilha da Brava.

LN c/ Lusa

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