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Dia Mundial da Audição

Mensagem da Dr.ª Matshidiso Moeti, Directora Regional da OMS para a África, por ocasião do Dia Mundial da Audição, 3 de Março de 2017

*Matshidiso Moeti

Este ano, no dia 3 de Março de 2017, o Dia Mundial da Audição centra-se no impacto económico da perda de audição. O tema deste ano é: “Agir contra a perda auditiva: fazer um bom investimento”.

Cerca de 360 milhões de pessoas – 5% da população mundial – vivem com deficiência auditiva incapacitante, sobretudo nos países de rendimento baixo e médio. A perda auditiva não tratadatraz um custo elevado à economia mundial. A OMS estima que os custos ascendam anualmente a 750 mil milhões de dólares americanos, o que equivale as despesas de saúde anuais combinadas do Brasil e da China ou ao produto interno bruto dos Países Baixos.

Na Região Africana, cerca de 4,5% da população vive com esta deficiência invisível que, frequentemente, é neglicenciada. A perda auditiva tem múltiplas causas, incluindo complicações à nascença, infecções no ouvido, exposição a barulho excessivo e envelhecimento. A inacção tem um custo elevado. Na Região Africana, excluindo o custo dos aparelhos auditivos, a perda auditiva grave ignorada custa mais de 20 mil milhões de dólares por ano, com cerca de 2 mil milhões a dever-se à perda de produtividade resultante de desemprego e de reforma antecipada. A perda da audição também tem um custo social significativo em virtude do isolamento social, das dificuldades de comunicação e do estigma, estimado em mais de 13 mil milhões de dólares por ano a nível regional.

Nas crianças a perda de audição pode ter influência na fala e na aquisição linguística, afectando consideravelmente o desempenho escolar e levando à exclusão. Além disso, a produção mundial de aparelhos auditivos é totalmente inadequado e, nos países de rendimento baixo e médio, menos de 1 em 40 pessoas que precisam de um aparelho auditivo o consegue. Estes países também têm poucos recursos humanos para os cuidados auditivos, tais como otorrinolaringologistas, audiologistas, e educadores para crianças surdas, pois estes encontram-se concentrados nos países de rendimento alto e médio-alto.

A boa notícia é que as medidas para enfrentar a perda auditiva têm uma boa relação custo-eficácia. A detecção e a intervenção precoces são essenciais; metade de todos os casos de perda auditiva pode ser evitada através da prevenção. As pessoas podem proteger a sua audição do barulho intenso no local de trabalho usando meios de protecção, tais como protectores auditivos com cancelamento de ruído, e reduzir a sua exposição ao ruído recreativo através do controlo do volume ou do uso de tampões de ouvido. As intervenções ao nível dos cuidados de saúde primários são os mais eficazes. As estratégias mais simples incluem vacinar as crianças contra as doenças da infância como o sarampo, a meningite, a rubéola e a papeira, e vacinar as raparigas adolescentes e as mulheres em idade reprodutiva contra a rubéola, o que reduzirá grandemente o risco de perda auditiva congénita nos bebés. Outras das medidas de baixo custo consistem em identificar a perda auditiva precocemente através do rastreio dos recém-nascidos, das crianças em idade escolar e dos adultos acima dos 50 anos, e ainda em identificar e tratar rapidamente as infecções nos ouvidos.

As medidas importantes ao nível nacional incluem implementar estratégias para a prevenção e identificação precoce da perda auditiva, juntamente com a disponibilização de aparelhos auditivos e terapia de reabilitação. Aumentar a disponibilidade de intérpretes de linguagem gestual e elaborar legislação em matéria de direitos humanos que tornem a informação acessível aos surtos e aos portadores de deficiência auditiva irá promover a sua inclusão na sociedade.

Ao comemorarmos o Dia Mundial da Audição, lanço um apelo a todos os países e parceiros para afectarem recursos adequados para fazer face à perda de audição e integrarem os cuidados auditivos nos sistemas de saúde, de modo a melhorar a prevenção e a detecção precoce. É preciso desenvolver as capacidades dos recursos humanos para tornar estes serviços mais equitativos na Região Africana e aumentar a consciencialização na sociedade para garantir que ninguém seja excluído.

Agir contra a perda de audição conduz a poupanças financeiras e rentabilidade do investimento, aumento do acesso à educação, maior empregabilidade que beneficia a economia e a uma sociedade integrada. Investir contra a perda auditiva soa bem.

*Directora Regional da OMS para a África

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