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“Visitas às tartarugas” rendem 550 mil euros ao ano: autoridades querem 10% do lucro para defesa das tartarugas

Em média, por dia, na ilha do Sal, cerca de 200 turistas visitam os locais de desova de tartarugas, um negócio que atinge os 550 mil euros ao ano. Mas que se encontra em risco devido ao abate indiscriminado desses animais.

Em média, por dia, na ilha do Sal, cerca de 200 turistas visitam os locais de desova de tartarugas, um negócio que atinge os 550 mil euros ao ano. Mas que se encontra em risco devido ao abate indiscriminado desses animais. A ideia é passar a taxar os operadores, que terão de contribuir, cada um, com 10% dos lucros para financiar o plano operacional de combate à caça da tartaruga em Cabo Verde.

Não é de hoje que se especula que o negócio de visitas nocturnas à desova das tartarugas rende milhares de euros. Há turistas que pagam 25 euros, por pessoa (o preço praticado no Sal), para terem a experiência de ver, de perto, uma tartaruga a desovar.

Em Cabo Verde, tal fenómeno da natureza animal atrai milhares de turistas por altura da época de desova, e até da eclosão dos ninhos, e que representa boa fonte de rendimento para guias e agências de viagem que vendem esse tipo de serviço. Só para se ter uma ideia, por dia, cerca de 200 turistas compram pacotes para verem as tartarugas na ilha do Sal.

Segundo informações avançadas ao A NAÇÃO por Gil Évora, presidente da Autoridade Turística Central, este negócio rende, anualmente, 550 mil euros aos cofres das agências e operadores turísticos que oferecem este serviço aos turistas.

A ideia de passar a taxar esses operadores saiu de um encontro de trabalho que aconteceu recentemente na ilha do Sal, depois de a ATC ter sido confrontada com várias queixas sobre a apanha de tartaruga na ilha. Essa apanha, ao que consta, está a pôr em causa a existência de tartarugas nas nossas praias e, com isso, um dos cartões postais de Cabo Verde.

 

Venda desenfreada

Uma das queixas, a que o A NAÇÃO teve acesso, partiu de um cidadão alemão, residente e empresário do sector turístico no Sal. Nela, o mesmo diz que tem vindo a se deparar com “o abandono total” das tartarugas, “tanto ao nível de caça, como na venda, e no consumo da carne de tartaruga, de forma descarada em Santa Maria”, e que ele, pessoalmente, tem recebido vários “retornos negativos” por parte dos seus clientes, quanto à falta de protecção das nossas praias daquela ilha.

Na mesma queixa enviada à ATC, o mesmo operador escreve ainda que gostaria “de chamar a atenção a quem de direito, para, de uma parte, atuar em conformidade com a espécie em vias de extinção, e, de outra, em prol do nosso destino, cuja imagem, neste sentido, tem vindo a atingir um nível extremamente negativo”.

Por isso, sugere, é preciso “criar meios financeiros para as patrulhas; formar “guias especializados”; e proibir de forma estrita e inequívoca grupos superiores a 10 pessoas, por visita”.

 

Espécie ameaçada

A reunião despoletada, então, por essa e outras queixas, juntou várias organizações ligadas ao turismo, como a associação de agências de viagem, a ONG Biodiversidade, a ATC, a Câmara Municipal do Sal e o Instituto Maritimo Portuário (AMP). A ideia foi de, juntos, encontrar e tentar medidas a curto prazo para mitigar a situação. É que, segundo dados da Biodiversidade, só este ano foram encontrados, na ilha do Sal, 206 cascos de tartarugas abandonadas.

Tal quadro preocupa sobremaneira Gil Évora, pois, a seu ver, exige uma maior fiscalização e controlo das praias, por forma a evitar o abate indiscriminado de tartarugas no Sal, mas também noutros pontos deste arquipélago. “A ATC e AMP, juntamente com a CMS, ficaram encarregadas de elaborar um plano operacional para combate à apanha das tartarugas e o financiamento virá, precisamente, das agências de viagem que vão dar parte dos 550 mil euros para o apoio material aos militares e à polícia nacional”, avançou ao A NAÇÃO.

A proposta, em cima da mesa, é que o valor a taxar seja 10% do lucro obtido pelos operadores que exploram o sector da visita às tartarugas. Haja em vista que Cabo Verde é um dos três maiores destinos mundiais de desova da tartaruga Caretta-caretta, sendo as ilhas do Sal e da Boa Vista os pontos mais procurados por esse animal.

 

Gisela Coelho

 

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