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Campo de Concentração do Tarrafal, 80 anos

Completam-se hoje, 29 de Outubro, oitenta anos da chegada dos primeiros presos políticos para a Colónia Penal do Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Um lugar de triste memória, que passaria à história como Campo de Concentração do Tarrafal, ou também Campo da Morte Lenta.

Foi a 29 de Outubro de 1936, em pleno salazarismo, fazem hoje oitenta anos, que chegavam os primeiros 152 dos 340 presos políticos que haveriam de passar por aquele centro carcerário na primeira fase da sua existência, 1936-1956.

Em Portugal reinava, em regime ditatorial, António de Oliveira Salazar. A braços com resistência de republicanos, comunistas, sindicalistas e outros segmentos sociais e políticos, havia que desterrar todos aqueles que se opunham ao salazarismo. Cabo Verde, primeiro a ilha de São Nicolau e depois da ilha de Santiago, acabou por ser escolhido para albergar um grande centro prisional.

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Tarrafal de Santiago, por causa do seu isolamento, clima insalubre e outros factores acabou por ser escolhido como local ideal. A isso juntavam-se as condições de vida, particularmente duras, pois, além de trabalho forçado, havia também fome, doenças, maltratos físicos, etc. Aliás, foi precisamente nessa primeira fase que morreu a maior parte (33) dos 36 presos que a história regista como tendo encontrado a morte na prisão do Tarrafal.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e por forte pressão internacional, realizada sobretudo pelo Partido Comunista Português, a Colónia Penal do Tarrafal foi oficialmente encerrada em 1956, restando apenas a parte dos presos comuns (cabo-verdianos). Aliás, foi nessa parte que um dos presos acabou por compor a célebre morna “Seis one na Tarrafal”.

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O campo seria oficialmente reaberto em 1961, agora com o nome de Campo de Trabalho de Chão Bom, desta feita, para receber presos políticos de Angola, Guiné e Cabo Verde, num total de 226 indivíduos. A 1 de Maio de 1974, após o derrube do fascismo em Portugal, dá-se a libertação dos presos políticos, um momento de grande júbilo popular na altura.

No entanto, antes de fechar definitivamente as suas portas como prisão política, o Campo do Tarrafal ainda recebeu, em Dezembro de 1974, sete dezenas de cabo-verdianos aí colocados, sob a custódia das autoridades portuguesas. Isso na sequência da intensa luta política, em Cabo Verde, entre o PAIGC e os seus adversários da UPICV e UDC. No caso, à medida que a sua situação foi sendo esclarecida os visados foram sendo postos em liberdade. Os últimos foram soltos a 5 de Julho de 1975, levados para Portugal, alegadamente, por sua própria vontade.

Por decisão do Estado cabo-verdiano o antigo complexo prisional do Tarrafal foi tombado, em 2006, como património nacional da República de Cabo Verde. Esforços vêm sendo realizados no sentido de ser proclamado Património da Humanidade pela Unesco.

A história da Colónia Penal, Campo de Trabalho, ou Campo de Concentração do Tarrafal está bastamente documentada quer em livros, quer em documentários. O primeiro livro, surgido em 1974, é “Tarrafal: pântano da morte lenta”, do português Cândido Oliveira; e o último é “Tarrafal-Chão Bom, Memórias e verdades”, do jornalista cabo-verdiano José Vicente Lopes, editor executivo do A NAÇÃO.

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