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Dirigentes de São Martinho acusados de escravizar presos

O chefe de segurança da cadeia de São Martinho, Francisco Ramos, é acusado de ter obrigado um grupo de presos a trabalharem em seu terreno agrícola situado em Fontes Almeida

Presos na cadeia de São Martinho estão, alegadamente, a ser obrigados a trabalhar fora desse estabelecimento em obras de dirigentes daquela penitenciária. A denúncia é de familiares dos detidos, que apontam o dedo ao chefe de segurança, Francisco Ramos. Este, por sua vez, assume a prática que considera “normal”, uma vez que, segundo diz, o director António Borges “tem feito a mesma coisa”.

O chefe de segurança da cadeia de São Martinho, Francisco Ramos, é acusado de ter obrigado um grupo de presos a trabalharem em seu terreno agrícola situado em Fontes Almeida, concelho de São Domingos.

Segundo a denúncia, há já algum tempo que Francisco Ramos, mais conhecido por Frank, tem retirado um grupo de cerca de 10 presos – condenados por vários crimes – daquele estabelecimento prisional para irem trabalhar no seu terreno agrícola.

“A última vez aconteceu esta segunda-feira. Isto tem acontecido com frequência e à frente de todos, na maior descontração”, diz um familiar de um dos detidos que prefere anonimato.

“Isto é crime. Estão a escravizar os presos, violando os seus diretos como ser humano, obrigando-os a trabalhar de graça, sem ganhar nada em troca. Ainda têm de ficar quietos para não serem castigados”, diz um outro familiar.

Este apela a quem de direito que investigue o caso para acabar com este “abuso, que acontece com a conivência de todos, desde o director da cadeia ao simples guarda prisional”. Para completar, diz a mesma fonte, “os detidos são transportados numa viatura da cadeia, abastecida com o dinheiro dos contribuintes”.

DIRECTOR CONFIRMA TER CONHECIMENTO DO CASO

Contactado pelo A NAÇÃO, o director da cadeia central da Praia, António Borges, diz que também recebeu de um guarda prisional a mesma denúncia contra Francisco Ramos. “Já é do meu conhecimento”, disse. “Isto deve estar a acontecer nos fins-de-semana quando não estou na cadeia. Mas estamos a averiguar para vermos o que se passa realmente. Estamos atrás de informações”.

Francisco Mendes assume prática e “compromete” director da Cadeia

Confrontado também pelo A NAÇÃO, Francisco Mendes assume que usou, de forma gratuita, a mão-de-obra de oito presos para trabalharem numa “obra” da qual é dono. “Estava com um trabalho, então, pedi a um agente que me trouxesse esses prisioneiros e fiquei a vigiá-los enquanto trabalhavam. Já estão todos de volta”, diz tranquilamente o chefe de segurança da cadeia de São Martinho.

Questionado se tem conhecimento de que se trata de uma prática ilegal, Mendes responde negativamente, pelo contrário, acha-a até “normal”, uma vez que tem visto o próprio director da cadeia, António Borges, a fazer a mesma coisa.

“Se realmente é ilegal, não volto a fazer mais”, diz Francisco Mendes, afirmando que se tratava de um trabalho numa obra e não num terreno agrícola, conforme denúncia dos familiares de alguns dos referidos reclusos.

Geremias S. Furtado

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