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Casas em contentores 100% sustentáveis: Protótipo em construção em Sal-Rei

Já se imaginou a viver numa casa construída a partir de um contentor? Uma casa 100% sustentável, onde a energia e a água consumidas são produzidas a partir do sol, do vento e do próprio ar?

O primeiro protótipo está em construção na ilha da Boa Vista pela mão de dois jovens arquitectos: Stefano Pellegrini e Michele Zavoli, formados em arquitectura e “design”, na Itália, e que criaram a Byocell, Lda. A ideia é criar uma casa totalmente autónoma, e capaz de ser transportável para qualquer lugar.

O protótipo está a ser construído à entrada de Sal-Rei, e quem está a executar a obra é a empresa cabo-verdiana Oásis Construções. Uma obra ousada e, sobretudo, diferente das habituais estruturas  de betão que é comum se ver em Cabo Verde. “Este projecto resulta da minha tese de mestrado, feita há 10 anos atrás, e com as potencialidades de Cabo Verde e da ilha do Sal, com tanto sol e vento, pensamos ser o lugar ideal para a primeira experiência”, conta Michele Zavoli.

A casa, que já tem dono, é uma espécie de T2, e está a ser projectada ao pormenor, em termos de sustentabilidade e autonomia de água e energia. “O nosso protótipo produz 14KW de energia total, a partir da 8KW de microeólico e 6KW de fotovoltaico. Através de um sistema semelhante ao ar condicionado, vamos conseguir produzir 160 litros de água por dia, que permitem, juntamente com a água reciclada a partir do duche, manter uma reserva contínua para quatro pessoas”, explica.

Também as águas residuais serão filtradas, tratadas e recicladas para as plantas do jardim e da horta vertical, que se estende na parte exterior da casa. “A ideia é produzir também a maioria dos legumes e hortículas consumidos na casa”, avança Stefano Pellegrini.

Paralelamente, são utilizados vários filtros e sistemas de tratamentos mineralizantes que, segundo Michele, permitem também obter água potável. A água da máquina de lavar é a única que não é reutilizada “por causa do uso de detergentes quimícos”, mas que, mesmo assim, “antes de ser deitada para o exterior é também tratada para diminiuir o impacto no meio ambiente”.

Os filtros, utilizados nos processos de produção e tratamento da água, terão de ser mudados mais ou menos de “cinco em cinco meses, o que equivale a cerca de 200 euros por ano”, mas, nada comparado com as facturas de água e electricidade que as pessoas gastam anualmente, numa casa convencional. “Os consumos vão depender sempre de quantas pessoas moram na casa”, explica Michele.

Material utilizado pela NASA

Conforme o jovem empresário, outro dado interessante é que o isolamento interno do contentor, ou seja, da  casa, que será utilizado “pela primeira vez em África”, é o material Aerogel, “usado pela NASA”, fruto de uma parceira com um fornecedor italiano.

Também, tudo dentro desta casa-contentor poderá ser comandado através de um IPAD, e como se trata de uma casa sustentável, o coração das operações, por assim dizer, está também numa espécie de “CPU”, como nos computadores.

O protótipo da casa  tem 120 metros quadrados (m2), sem contar com as varandas, no rés do chão e primeiro andar, e o espaço livre em redor da casa. “Priviligeamos o ‘open space’ e os espaços ao ar livre”, garante Michele.

A casa tem dois quartos, duas casas de banho, cozinha e uma sala grande. Mas, o projecto pode ser adaptado para outras tipologias conforme a necessidade do cliente. “Este é o projecto piloto, mas o conceito è criar uma casa completamente autónoma e transportável, para se viver, em qualquer lugar, desde que haja muito sol e vento”, conta Stefano.

Investimento e vantagens

Com o mesmo sistema é possível construir hóteis ou bungalows separados, para criar se criar um eco-resort. Uma ideia que no futuro não será descartada, mas tudo irá depender da reacção do mercado.

A pergunta que muitos se devem estar a colocar é quanto custa, afinal, uma casa destas e quais as vantagens. Os jovens respondem, com a certeja, desde já, que é uma casa “mais amiga do ambiente, que permite produzir toda a energia e água, logo, se poupa nas facturas, tem horta incluída e utiliza contentores, que existem em abundância no país”.

O preço de venda está a ser ainda definido, mas garantem que será inferior ao preço médio do mercado, “com tudo incluído: construção; kit de água, kit de energia, domótica, cozinha e móveis”. Este protótipo, um T2, deverá rondar os 110 mil euros.

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