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K de Kwanza

Confirmam-se as palavras de Bertold Brecht diante das pessoas imprescindíveis. Algumas, por amizade e fé, estão nas frentes mais improváveis.

Filinto Elísio

Dos imprescindíveis 

Confirmam-se as palavras de Bertold Brecht diante das pessoas imprescindíveis. Algumas, por amizade e fé, estão nas frentes mais improváveis. O empenho, a dispensar encómios, e a realização, a raiar ao sublime. O tal de azular o dia. Entrementes, quero, satisfeito e grato, fazer tributo aos imprescindíveis e pela forma como estes, lutando toda uma vida, determinam a disposição do zodíaco. De Brecht: “Há homens que lutam um dia, e são bons/ Há outros que lutam um ano, e são melhores/ Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons/ Porém há os que lutam toda a vida/ Estes são os imprescindíveis”…

Tempestade

William Shakespeare escrevia, na peça “Tempestade”, que “misery acquaints a man with strange bedfellows”. Parece que, também entre nós, Trinculo e Caliban (este tão atormentado como aquele), se protegem do vendaval sob a mesma manta. A questão que faz o drama não será exatamente a fúria do tempo, mas a percepção com que os dois se acomodam como “estranhos companheiros de cama” nestes históricos dias de alguma travessia. Fico, horas esquecidas, a magicar o diálogo entre Trinculo e Caliban, mais seus respetivos superegos, enquanto a plateia, nós afinal, sequiosa da chuva sobre as ilhas, é testemunha deste momento transitivo. E de pouca poesia, diga-se de passagem.

 Eu era Charlie

“Ainda alguém é Charlie?”. O Charlie Hebdo decidiu publicar duas caricaturas de chacota duvidosa sobre a tragédia com o Airbus 321 russo, resultando em mais de 200 vítimas (inclusive 20 crianças). Lembro-me que, há pouco tempo, eu aderia à corrente global de solidariedade contra o atentado a esse jornal satírico, entretanto, pela incapacidade de se indignar com os outros, tornado pasquim de reles categoria. Basta de palhaçada. De “charlizada”. Vivendo e aprendendo. Eu já não sou Charlie!

K de Kwanza

Kwanza, em cujas as águas não molhei os pés. Balbuciei a sonoridade do farfalhar das águas do rio. Gesticulei o ondear de como estas haveriam de bater nas margens. Teatralizei a sinuosidade do estio das terras vermelhas, quais fossem, também estas, o repouso da Hidra. A decantação do universo, em seu pluriverso de estradas e em sua miríade de ramificações e ramagens. As metrificações de Iemanjá, o cio do cajueiro e o zen do embondeiro, Márcia Souto -, tudo, de como o rio encontrava o mar. Background. Blackground. E o remo batendo nas águas e o coração era uma grande maraka repetindo blackground. Blackground…

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