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Rui Machete quer reforçar relações económicas com Cabo Verde

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal expressou esta segunda-feira a intenção de reforçar as relações económicas com Cabo Verde

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal expressou esta segunda-feira a intenção de reforçar as relações económicas com Cabo Verde, numa reunião com o seu homólogo cabo-verdiano, que efectua a sua primeira visita oficial a Lisboa como titular do cargo.

“Na próxima cimeira (a III Cimeira Luso-Cabo-Verdiana, que se realiza a 17 de Dezembro, em Lisboa), teremos oportunidade de promover o reforço das nossas relações económicas, que têm margem para crescer e para se diversificar”, declarou Rui Machete, em conferência de imprensa, após o encontro com Jorge Tolentino Araújo.

Segundo o chefe da diplomacia portuguesa, “de Janeiro a Julho de 2014, o investimento português em Cabo Verde foi de 12,2 milhões de euros – um crescimento de 20,5 por cento quando comparado com o mesmo período do ano passado”.

“Portugal é um dos principais investidores estrangeiros no arquipélago e, atualmente, a nossa presença tem particular incidência nos setores industrial, da banca, da energia, do turismo e da construção civil”, sublinhou, dando como exemplo do trabalho português nesta última área a Barragem da Figueira Gorda.

“A barragem, construída por empresas nacionais e que acaba de ser inaugurada (…) certamente terá um impacto muito positivo, a longo prazo, no desenvolvimento de Cabo Verde”, asseverou.

Rui Machete indicou que no ponto de situação que hoje fez com o ministro das Relações Exteriores de Cabo Verde, outro dos principais assuntos abordados foi o próprio tema da cimeira: o Mar.

“Como sabem, o mar constituiu um desígnio nacional português e é também um dos ‘clusters’ do desenvolvimento de Cabo Verde”, frisou.

“Neste âmbito, aproveito para felicitar Cabo Verde por ter submetido recentemente às Nações Unidas o seu projeto de extensão da plataforma continental, que, esperamos, venha a ser bem-sucedido”, referiu.

Outra das questões em debate na cimeira vai ser o aprofundamento da cooperação entre os dois países, apontou, salientando “as negociações em curso para o novo programa-quadro da cooperação técnico-militar até 2017” que Portugal espera que “possa ser assinado por ocasião da cimeira”.

Machete referiu ainda “o trabalho feito na área da cooperação técnico-policial”.

“[Esse trabalho] constitui uma das bandeiras do nosso relacionamento: nos últimos oito anos, efectuámos mais de 100 acções de formação e de assessoria que resultaram na capacitação de quase 1500 quadros cabo-verdianos”, destacou, acrescentando que “Portugal tem também cooperado de forma estreita na área da Justiça, segundo as prioridades estabelecidas pelo Governo cabo-verdiano”.

“Julgo que todo este trabalho terá mais-valias mútuas, no que toca à vigilância marítima e ao combate ao tráfico de ilícitos, como é o caso da droga, e terá um impacto positivo nas questões da segurança do Golfo da Guiné, uma região que tem merecido a nossa particular atenção”, observou.

Na vertente cultural, o ministro português disse que foi “com genuína simpatia que Portugal acompanhou a intenção de Cabo Verde de candidatar a Morna a Património Cultural Imaterial da Humanidade”.

“Tanto por sentirmos uma afinidade com essa expressão musical, quanto por se tratar de expoentes da cultura cabo-verdiana, e também lusófona, e assim acolhemos positivamente o pedido que nos foi feito para apoiar essa candidatura”, referiu.

No plano internacional, o chefe da diplomacia indicou ter debatido com o seu homólogo cabo-verdiano “a situação política e de segurança na Guiné-Bissau”, uma vez que ambos participaram na reunião da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) de 29 de Outubro, em Bissau, especialmente convocada para abordar o tema.

De acordo com Rui Machete, “houve, por parte de todos os países membros da CPLP, um consenso quanto à vontade de apoiar o país e de acreditar no seu progresso”.

“No caso de Portugal, esse apoio traduz-se na retoma dos programas de cooperação institucional e, para pôr em marcha esses mesmos programas, foi assinado há uma semana em Lisboa um plano de ação de urgência para os próximos oito meses, no valor de cerca de sete milhões de euros”, precisou.

A solidariedade de Portugal, prosseguiu, “tem-se verificado também no esforço político-diplomático junto da União Europeia: Portugal sempre defendeu em Bruxelas a retoma dos apoios europeus a Bissau e, nesse sentido, foi já anunciado um envelope orçamental de cerca de 20 milhões de euros a ser disponibilizado até ao final deste ano”.

Fonte: Lusa

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